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16 de fev. de 2014

RESENHA: Todo Dia

postado por Unknown


Nome Original: Every Day                                       
Autor(a): David Levithan
Ano: 2013
Páginas: 280
Editora: Galera
Onde Comprar: Saraiva, Book Depository

Li inúmeras resenhas positivas sobre esse livro e foram tantas e falando tão bem que eu resolvi colocar todas as outras leituras de lado e ver, de uma vez por todas, o que Todo Dia tinha de tão especial.

Logo no começo da leitura comecei a perceber que esse livro era diferente de alguns Young Adults que simplesmente nos jogam histórias bonitinhas e uma aventura ali ou aqui. David Levithan quis dar aos leitores alguma coisa a se pensar e conseguiu. Viver não é fácil.

Ser um ser humano, existir, não é fácil independente da idade que você tenha. “A”, o protagonista, sabe bem disso. “A” não é “ele” e nem “ela” (em inglês ele é chamado, quando não pelo nome, de it). Um ser sem gênero e sem aparência própria que acorda todo dia no corpo de um adolescente de 16 anos diferente. A cada dia “A” tem uma nova vida, em uma nova casa, pais, amigos e rotinas. Sua principal regra é não interferir, simplesmente viver aquele dia do mesmo jeito que sente que o seu hospedeiro viveria.

"Depois de algum tempo é preciso aceitar o fato de que você simplesmente existe. Não há meio de saber o porquê. Você pode ter algumas teorias, mas nunca haverá uma prova." (pág. 8)

“A” não sabe o porquê é daquele jeito ou se existem outros que vivem da mesma forma, mas “A” leva a vida muito bem e conformado com sua condição até acordar no corpo de Justin e conhecer Rhiannon, a namorada dele. A delicadeza e o medo emanado por Rhiannon pelo namorado fazem com que A desista de não interferir e decida dar a a ela um dia perfeito. Um dia que ela se sinta amada e apreciada. Mas não é apenas a vida dela (e de Justin, por tabela) que “A” está mudando. Nas 24 horas que passa com a garota, “A” se envolve de uma forma que nunca se permitiu e acaba se apaixonando. A separação não é uma opção, então quando “A” acorda no corpo de outras pessoas nos dias seguintes, faz de tudo para voltar para Rhiannon.

O amor incondicional que “A” sente por Rhiannon é lindíssimo, mas o que eu realmente gostei foi vê-lo em vidas diferentes todos os dias. “A” passa por todos os tipos de pessoas e é por meio dele que nós vemos como todo mundo tem seus próprios tipos de problemas e como é a vida para cada um de nós. “A” um dia é garoto, no outro é garota, no outro é uma pessoa que nasceu garota, mas decidiu virar garoto. “A” um dia é um obeso e no outro é uma faxineira menor de idade que trabalha ilegalmente.

" É muito difícil  ter uma noção verdadeira do que é a vida quando se está num único corpo. Você fica tão preso  a quem você é. Mas quando quem você é muda todos os dias, você fica mais próxima da universalidade" (pág.  79)

David Levithan simplesmente foi genial em trazer todos esses modos de vida para um único livro, um único personagem. Por que essas pessoas são diferentes, mas naqueles dias, todas são “A”, e apesar de não ter um corpo, “A” tem sua própria personalidade. E é isso que realmente o diferencia, assim como todo o resto do mundo. Fiquei imaginando enquanto lia que “A” é tudo aquilo que todo ser humano tem dentro de si. Independente do gênero, da cor da pele, da aparência ou de qualquer outra coisa. Todos são feitos da mesma matéria e a partir daí nos desenvolvemos até nos tornamos únicos.

Não espere muitas respostas ao ler. Mas já digo que elas não são tão necessárias assim se você utilizar a história não como algo que precisa ser explicado, mas algo que precisa ser pensado.

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