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4 de jan. de 2014

RESENHA: Extraordinário

postado por Unknown

Nome Original: Wonder            
Autor(a): R. J. Palacio
Editora: Intrínseca
Ano: 2013
Páginas: 314


Não julgue um livro – menino – pela capa – cara. É o que diz a contra capa de Extraordinário. Só essa frase já mostra para o leitor que o que vem por aí é bomba. Na verdade, a obra de R.J Palácio, que por sinal é uma mulher, é um puxão de orelha e um abre olhos, afinal, sempre tem aquele momento que nos deixamos levar pelas aparências.

Augustus Pullman é um garoto de 10 anos com os mesmos desejos e receios de qualquer criança dessa idade. A única coisa que o difere das outras pessoas é que ele tem uma deformidade facial e dificuldades para ouvir e falar causadas por uma síndrome genética. Por isso ele sempre estudou em casa, numa iniciativa dos pais para protegê-lo. Do que? Dos olhares censuradores, piedosos ou aversivos que ele recebe, por exemplo, em um simples passeio na soverteria. Ir para a escola não seria fácil para Auggie.

Mesmo assim, no início do livro ele se matricula em uma escola de Nova York. E aí gente...Aí nós começamos a ver que o ser humano pode ser muito cruel, independente da idade. Como já era de se esperar, Auggie sofre algumas "brincadeiras" das crianças do lugar. Mas, por outro lado, também é recebido com afeto e normalidade por algumas outras, como a garota Summer que logo vira melhora amiga de Auggie. Ou seja, existem sim pessoas boas no mundo.

Mas, o que mais me chamou a atenção foi a autora usar, sutilmente, aquela questão de que os filhos são espelhos dos pais. As crianças mais malvadas com o Auggie, claro, são filhos de pessoas que afundam em seu próprio preconceito e que, ao olhar para Augustus, não veem uma criança, apenas um ser deformado, fora do padrão. Obviamente, isso é passado para seus rebentos que aprendem a tratar os demais de acordo com sua aparência, status, forma de pensar e etc.



Só que Auggie, como já dito, é gente como a gente e tudo o que ele quer é ter uma vida normal.  Que as pessoas deixem de ver só o rosto dele. Se ele consegue viver, muito bem obrigado, exatamente do jeito que ele é, por que as outras pessoas não? O livro chega a ser revoltante em algumas partes a nível de você querer jogá-lo contra a parede.  Já em outras ocasiões ele é lindíssimo e nos emociona, mas nada ao ponto de nos levar à uma depressão profunda. É no ponto certo.

Com um texto bem simples, o livro é equilibrado. O assunto é pesado, como já era de se esperar, mas por se tratar na maior parte de crianças, fica um pouco mais leve. Grande parte da história é narrada pelo pequeno protagonista, mas outras pessoas também têm voz como sua irmã mais velha e seus amigos da escola. É interessante entender com as outras pessoas vêem Auggie e como ele as influenciou.

Para resumir, o objetivo de Extraordinário está estampado na capa e nas ilustrações presentes no início de cada capítulo: mostrar que Augustus é apenas uma criança, como eu e você já fomos e que ele é muito mais do que um rosto. Ele é diferente? Sim! Mas também temos todos nossas diferenças até por que, ser diferente é extraordinário.


27 de dez. de 2013

RESENHA: Perdão, Leonard Peacock

postado por Unknown

Nome Original: Forgive Me, Leonard Peacock   
Autor(a): Matthew Quick
Editora: Intrínseca
Ano: 2013
Páginas: 222
É o aniversário de 18 anos de Leonard Peacock, um adolescente considerado solitário, abandonado pelo pai e que possuí uma relação pouco afetiva com a mãe, uma estilista que mais se preocupa com o trabalho e com o namorado do que com o filho. Ao invés de comemorar, Leonard acorda nessa data especial com outro objetivo em mente: irá matar o ex-melhor amigo e depois se suicidar.

Não sei por que senti vontade de ler esse livro de Matthew Quick. Não li o Lado Bom da Vida, mas vi o filme na maratona Oscar 2013, e não sou fã de livros com uma temática tão forte como essa. Leio, mas não sou fã. Mesmo assim, desde que a Intrínseca começou a divulgar Perdão, Leonard Peacock, senti uma imensa e inexplicável vontade de ler.

O começo foi difícil pra mim. Não me liguei ao livro de primeira e me permitir ir para outras leituras antes de continuar (isso vem acontecendo bastante comigo). Mas quando decidi ler de verdade me surpreendi muito com o texto de Quick. Os capítulos são curtos, o que facilitou muito a minha leitura. Eu levo um pouco mais de tempo para ler uma história com um enredo delicado, e às vezes, pode ficar um pouco cansativo. Não foi o caso. O autor é direto, tem uma linguagem simples e não usa metáforas ou eufemismos que são comuns em livros do estilo.

Leonard é quem conta a história, então em todo livro vemos o ponto-de-vista dele. Vemos os motivos que o levaram a decidir que acabaria com a própria vida. Antes disso, ele decide presentear alguns poucos amigos – se é que dá para chamá-los assim – para que eles não se sintam culpados pelo o que ele irá fazer. Pessoas especiais que, de alguma forma, afetaram para melhor a vida de Leonard. Entre essas pessoas está Herr Silvermann, professor de história e, provavelmente, a personagem mais interessante do livro.



Acho que qualquer adolescente ou jovem adulto que ler essa obra vai se identificar com Leonard. Ele é um peixe-fora-d’água assim como grande parte das pessoas da idade dele. Ele não pertence à vida moderna. É um adolescente que já passou por coisas horríveis, mas que são minimizadas pelos outros. O abandono do pai e o descaso da mãe, por exemplo, são coisas que ele deve aprender a lidar segundo a sociedade. Mas ele não consegue.

Leonard quer saber se o futuro será melhor, se ele tem condições de se tornar alguém melhor e que consiga fazer algo pelo mundo. Afim de saber mais sobre o que virá depois da adolescência ele faz algumas coisas, como seguir adultos desconhecidos enquanto esses estão a caminho de seus trabalhos e observar suas expressões. Decepcionado, ele percebe que todos estão tristes e desapontados com as suas próprias vidas. 

“Mostre me que é possível ser adulto e também ser feliz. Por favor. Este é um país livre. Você não precisa continuar fazendo isso caso não queira. Você pode fazer o que desejar. Ser quem quiser. Isso é o que eles nos dizem na escola, mas se continuar entrando naquele trem e indo para o lugar que você odeia, vou começar a achar que as pessoas na escola são mentirosas (...)" (pág.47)

O futuro parece tão promissor quanto o presente e tudo o que Leonard consegue ver são justificativas para o que ele planeja fazer. No entanto, descobrimos no decorrer da leitura que, no fundo, o garoto deseja que alguém o impeça. Que alguém note os sinais que ele vêm dando (isolação, carência, depressão) e que se importe. Alguém que mostre que ele só está em um momento ruim, mas que coisas boas podem aparecer. Isso é o que me faz amar o livro. Leonard, com seu tom sarcástico, faz aquilo que todos fazemos em momentos desesperadores: pede ajuda. E para isso, Leonard, não é necessário perdão.

21 de dez. de 2013

ESTANTE: Casais literários que convencem

postado por Unknown




De um tempo pra cá percebi que eu ando cada vez mais exigente com relação a romance em livros.  A maioria das histórias traz um casal que, em certo ponto se apaixonam e começam a se relacionar. Na verdade, ter um casal é quase um elemento obrigatório em um enredo literário. Por mais que o tema central não seja o amor, pode ter certeza de que ele vai acontecer.

Eu não estou reclamando! Amo um bom romance, acompanhar um casal enquanto esses se descobrem e meus olhos enchem de lágrima com uma cena bonitinha ou com um final triste. Eu tenho coração! Mas, vamos admitir que não é qualquer coisa que funciona. Não basta só fazer com que as personagens principais se apaixonem e pronto. Tem que fazer sentido, convencer. E é exatamente isso o que não acontece em alguns livros.

Não sou escritora e também não tenho domínio nenhum para poder dizer o que um bom e convincente romance deve ter, então me limito a dizer que o mínimo que o leitor precisa é um pouco de coerência. Sabe aquela expressão que diz “isso só acontece em livro?”, pois é. Vez ou outra é ótimo ler uma coisa que sabemos ser, senão impossível, muito difícil de acontecer na vida real. Mas uma história totalmente baseada em elementos inverossímeis me cansa. E muito.

Uma das coisas que me levam a não acreditar no romance em um livro é o tempo. As coisas acontecem rápido demais, principalmente nas distopias que é o estilo de livro que eu mais leio. Esse tipo de história realmente requer um ritmo mais acelerado e por isso vemos personagens se apaixonando perdidamente e fazendo juras de amor depois de poucas páginas.

Claro que o problema é comigo – uma pessoa que acredita que o amor é um sentimento que, na maioria das vezes, é adquirido com o tempo – e não com os autores dessas obras maravilhosas. E para provar a todos que me tacharam de insensível, fiz uma lista de casais literários que SUPER convenceram.


- Emma e Dexter (Um Dia – David Nicholls)

Esse é golpe baixo, eu sei. Afinal, David Nicholls teve mais de 400 páginas para provar que Em e Dex formam um casal real, com seus altos e baixos, defeitos e qualidades. Nada de muito meloso, sem “eu te amo” ditos ao vento. Conhecemos os dois muito bem a ponto de entendermos seus sentimentos ainda que não sejam ditos em voz alta.


- Katniss e Peeta (Jogos Vorazes – Suzanne Collins)

Um exemplo de distopia em que o romance funcionou muito bem, obrigada. Durante toda a trilogia Katniss fica entre Gale, seu melhor amigo, e Peeta, o filho do padeiro que ela fingiu amar durante os primeiros jogos para poder sobreviver. Em meio a uma revolução, Collins mostra o amor de forma muito subjetiva e, em minha opinião, muito real. O amor de Katniss pelos dois é convincente e isso se deve a convivência do triângulo durante os três livros. Eles se conhecem bem, o que é necessário para o nascimento de um sentimento. Quando ela finalmente se decide ficamos com a sensação de que além do coração, Katniss também levou em consideração a razão.

- Hazel e Augustus (A Culpa é das Estrelas – John Green)


Você pode até não ter gostado do livro, o que eu duvido muito, mas não pode negar que Hazel e Gus têm uma química que muito casal literário gostaria de ter. Eles são muito mais do que duas pessoas apaixonadas, são amigos e companheiros. Ambos tentando encontrar juntos o que a vida tem de melhor.



- Sam e Charlie (As Vantagens de Ser Invisível – Stephen Chbosky)


Confesso que os coloquei na lista mais pelo Charlie, por que o amor dele pela Sam é tão inocente e delicado que vale por vários casais de romances literários. E quem nunca amou sem ser amado? Não que Sam não corresponda, mas o amor de Charlie, assim como tudo o que vem dele, é algo singular mas verossímil. Chbosky nos faz acreditar nesse primeiro amor.



Esses são alguns dos muitos casais que me fizeram suspirar e surtar durante as minhas leituras e que, com certeza, conseguiram convencer no quesito romance! E vocês, têm algum casal literário favorito? 


1 de dez. de 2013

ESTANTE: Livros de dezembro - Parte I

postado por Unknown


Antes de tudo, quero deixar claro que os livros dessa lista são aqueles que eu pretendo, do verbo “vou fazer o máximo possível”, e quero ler esse mês! Eu falo isso por que sempre surgem um, dois, vários livros que passam na frente de todos os outros. Alguns – muitos – dessa lista sofreram isso. A ideia dessa lista é organizar um pouco as minhas leituras e ler os títulos que estão empoeirando na minha estante!

Cliquem nos títulos para serem direcionados à página do skoob de cada livro!

1. Um Dia - Isso mesmo, eu ainda não li o livro! Eu vi o filme por volta de um ano atrás e gostei bastante, mas não me interessei em ler por que eu fiquei com aquela sensação de que ter visto o filme antes acabou estragando toda a experiência literária que as pessoas dizem ter com a obra de David Nicholls. Acho que todos já conhecem mas, resumindo, acompanhamos no livro Emma e Dexter que se conhecem em 15 de julho de 1988 na graduação da faculdade.  A partir de então, vemos todos os 15 de julho vividos pelos dois durante vinte anos. Adiei muito a leitura, mas agora ele já está devidamente comprado e esperando a sua hora na minha estante!

2. O Beijo das Sombras (Academia de Vampiros) – Esse está na minha estante desde o começo do ano. Comecei a ler, mas confesso que a história não me chamou muito a atenção e eu acabei dando prioridade para outros livros. O livro, primeiro de uma série de seis, conta a história de Lissa Dragomir que pertence a realeza da sociedade vampiresca Moroi. Sua melhor amiga e guardiã é Rose Hathaway que, ao contrário de Lissa, é uma Dampira: é meio vampira e meio humana. Existem também os Strigoi, vampiros corrompidos que buscam sangue Moroi para continuarem imortais, ou seja, o sangue de Lissa é arroz e feijão para eles. Tudo me parece bastante interessante para falar a verdade, por isso vou dar mais uma chance esse mês!

3. A Terra das Sombras (A Mediadora) – Suzannah se muda para Califórnia e já quer sair correndo quando vê que sua nova casa é uma construção antiga. Isso por que a menina é uma mediadora, ela consegue ver e falar com fantasmas e, quanto mais antigo for o prédio, maiores chances de ter um por lá. Antes de mais nada quero pedir encarecidamente para não me julgarem por ainda não ter lido! Tenho duas versões desse livro há anos, tantos que eu nem consigo me lembrar. Exatamente por não conseguir me lembrar eu vou ler. De novo. E aproveitar para ler toda a série por que, até onde eu lembro (rs), eu amei!

4. Bling Ring: A Gangue de Hollywood – Muita gente compra esse livro com uma expectativa enorme e quando descobre que ele é estilo documentário se decepciona. Não é o meu caso, comprei já sabendo, e como uma boa jornalista que sou, gostei muito da maneira que Nancy Jo Sales conta o que aconteceu entre 2008 e 2009 em que celebridades como Lindsay Lohan, Paris Hilton e Orlando Bloom tiveram suas casas invadidas e saqueadas por adolescentes de Los Angeles. A autora nos mostra como era a vida dos saqueadores e como eles conseguiram cometer os crimes.

5. O Chamado do Cuco – Uma modelo problemática é encontrada morta e todos acreditam que ela tenha se suicidado, menos o seu irmão que contrata um detetive veterano de guerra para investigar o que realmente aconteceu. A quantia paga é ótima, por isso o detetive particular Cormoran Strike aceita o caso sem saber que, ao fazê-lo, também ficará em perigo. Só pela história já tive vontade de ler, ainda mais sabendo que a autora é a rainha do mundo literário, J.K Rowling (sob o pseudônimo Robert Galbraith). Ainda não tenho (por isso não está na foto ali em cima), mas logo menos pretendo comprar a versão capa dura que as lojas brasileiras estão fazendo o favor de vender!

Essa é a parte I da lista por que eu decidi que só vou colocar outros livros se eu conseguir, pelo menos, ler três dessa lista. Sem procrastinar e sem passar outros na frente! Força, foco e fé! Talvez até role umas resenhas deles, o que acham?

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